Sociedade
Ao amanhecer, o silêncio das zonas costeiras da cidade de Inhambane é quebrado apenas pelo movimento da água entre as raízes do mangal. Com os pés mergulhados na lama, dezenas de pescadores iniciam mais um dia na apanha de ostras — uma actividade que há gerações garante alimento e rendimento às comunidades locais.
Apesar da abundância do recurso natural, muitos pescadores enfrentam hoje um desafio inesperado: a falta de mercado para vender a produção.
“Por vezes levávamos as ostras até ao distrito de Vilankulo e outros pontos turísticos, mas não encontrávamos compradores”, conta Félix Manuel, pescador artesanal que depende da actividade para sustentar a família.
Sem compradores garantidos, parte do marisco acabava por se perder, reduzindo o rendimento das famílias que vivem quase exclusivamente da pesca artesanal.
Uma mão amiga
Perante estas dificuldades, uma iniciativa apoiada pela organização não-governamental WWF promoveu recentemente, na cidade de Inhambane, uma feira dedicada à comercialização de ostras, reunindo pescadores, comerciantes e consumidores no mesmo espaço.
Segundo os promotores, o objectivo é fortalecer a cadeia de valor da ostra, reduzir perdas e assegurar melhores preços para os produtores locais.
Além do acesso ao mercado, os pescadores passaram a receber formação em boas práticas de pesca sustentável e alternativas de geração de rendimento, numa tentativa de reduzir a pressão sobre os recursos naturais e garantir maior estabilidade económica às comunidades costeiras.
Para muitos pescadores, a esperança é que iniciativas semelhantes se tornem permanentes, permitindo que o trabalho iniciado nos mangais encontre finalmente um destino seguro nos mercados.
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