Clima
O mundo assinala esta quarta-feira o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, uma data promovida pelas Nações Unidas para alertar sobre os impactos da degradação dos solos e da escassez de água no desenvolvimento sustentável, na segurança alimentar e na conservação dos ecossistemas.
As celebrações deste ano decorrem sob o lema “Pastagens: Reconhecer. Respeitar. Restaurar”, destacando o papel das áreas de pastoreio na produção de alimentos, na preservação da biodiversidade e na adaptação às mudanças climáticas. O evento global é acolhido pelo Quénia, país que recebe as actividades centrais da efeméride.
Segundo as Nações Unidas, as pastagens cobrem mais de metade da superfície terrestre e sustentam milhões de pessoas em todo o mundo, mas enfrentam uma crescente degradação provocada por factores como alterações climáticas, pressão humana sobre os recursos naturais e práticas inadequadas de uso da terra.
A data é assinalada numa altura em que várias regiões do planeta enfrentam secas mais frequentes e severas, fenómeno que tem colocado pressão adicional sobre os sistemas agrícolas e os recursos hídricos.
Realidade nacional
Em Moçambique, embora a desertificação não se manifeste com a mesma intensidade observada em algumas regiões áridas do continente africano, a degradação dos solos, a erosão, o desmatamento e a irregularidade das chuvas constituem desafios crescentes para a produção agrícola e para os meios de subsistência das comunidades rurais.
Partes das províncias de Gaza e Inhambane, no Sul do país, estão entre as mais expostas aos períodos recorrentes de seca, enquanto eventos climáticos extremos, incluindo ciclones e inundações, contribuem para acelerar a degradação dos recursos naturais em diferentes regiões.
Especialistas defendem que a adopção de práticas agrícolas sustentáveis, a recuperação de áreas degradadas, a gestão adequada das pastagens e o reflorestamento são medidas essenciais para aumentar a resiliência das comunidades e proteger a capacidade produtiva dos solos.
As Nações Unidas têm alertado que a restauração de terras degradadas representa uma das estratégias mais eficazes para enfrentar simultaneamente as crises climática, alimentar e de biodiversidade, ao mesmo tempo que contribui para melhorar as condições de vida das populações dependentes da agricultura e da pecuária.
O Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca surge, assim, como um apelo global à utilização sustentável da terra e à adopção de soluções capazes de garantir a produtividade dos ecossistemas para as gerações futuras.
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