Sociedade
Moçambique enfrenta desde Outubro passado, uma das épocas chuvosas mais severas dos últimos anos, com dados oficiais actualizados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres (INGD), a indicarem para um total de 296 mortos e mais de um milhão de pessoas afectadas pelas cheias.
A mais recente vaga de inundações, em curso desde a semana passada nas regiões centro e parte do Sul do país, agravou o cenário, já precário em províncias como Gaza e Sofala, e já provocou mais 18 mortos e está a afectar mais de 120 famílias.
De acordo com o INGD, parte dos óbitos resulta do não cumprimento das orientações emitidas durante as acções de sensibilização, evidenciando desafios na comunicação de risco e na mudança de comportamento em contextos de emergência.
Só nas cheias de Janeiro, cerca de 50 pessoas morreram e mais de 700 mil foram afectadas, sobretudo na região Sul, marcando o início de uma sequência de eventos extremos que se prolonga ao longo da época.
A dispersão geográfica dos impactos, com destaque para as províncias de Inhambane, Sofala, Tete e Niassa, tem vindo a aumentar a complexidade da resposta e assistência humanitária.
Os danos materiais também confirmam a severidade da época. De acordo com fontes oficiais, mais de 30 mil casas foram destruídas total ou parcialmente e cerca de 200 mil ficaram inundadas, afectando de forma directa as condições de vida das populações.
No sector produtivo, a perda de mais de 267 mil hectares de culturas e a morte de mais de meio milhão de animais, com destaque para bovinos, representam um golpe profundo para a segurança alimentar e a economia rural.
Com a época chuvosa a prolongar-se até Abril, as autoridades mantêm o alerta para a possibilidade de novos episódios, num contexto em que os impactos tendem a ser cumulativos e mais difíceis de reverter.
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