Estudos

Mudanças climáticas e La Niña intensificam cheias mortais no Sul de África, revela estudo

As mudanças climáticas, combinadas com o fenómeno La Niña, criaram uma “tempestade perfeita” que resultou na actual vaga devastadora de cheias no Sul de África.

As conclusões constam de um novo estudo científico divulgado esta semana, cujo resumo foi consultado pela Revista Terra.

De acordo com a pesquisa — que contou com a participação do especialista moçambicano Bernardino Nhantumbo, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), juntamente com investigadores de reconhecidas instituições do Reino Unido e dos Países Baixos — a intensidade das chuvas extremas na região aumentou cerca de 40% desde o período pré-industrial, como resultado do aquecimento global provocado pela acção humana.

O estudo aponta que, “em algumas áreas, o volume de precipitação registado em poucos dias superou a média anual, provocando inundações de grande escala, destruição de habitações, estradas e áreas agrícolas”.

Embora eventos desse tipo ainda sejam considerados raros — ocorrendo, em média, uma vez a cada 50 anos — os cientistas afirmam que, num clima sem influência humana, seriam ainda menos prováveis.

Segundo Bernardino Nhantumbo, o aquecimento global actuou como um verdadeiro “multiplicador de força” sobre a La Niña.

“O aquecimento de 1,3 °C do planeta amplificou o sinal natural das chuvas, sobrecarregando bacias hidrográficas como a do baixo rio Limpopo e expondo vulnerabilidades sociais profundas da região”, explicou.

Desde o início de Janeiro, chuvas extremas atingiram Moçambique, África do Sul, Zimbabwe e Eswatíni, provocando a morte de cerca de 200 pessoas e afectando centenas de milhares de habitantes.

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