Biodiversidade
Moçambique registou uma recuperação significativa no sector da fauna bravia, com a população de elefantes a atingir cerca de 21.700 animais em 2025, mais do dobro dos efectivos contabilizados no último censo nacional realizado em 2018.
Os dados constam do Censo Nacional da Fauna Bravia 2025, divulgado esra semana em Maputo, que segundo as autoridades, destaca-se por ser um dos mais abrangentes exercícios de monitoria da biodiversidade realizados no país.
Além do crescimento do número de elefantes, o levantamento indica uma redução significativa de carcaças da espécie nas áreas de conservação, sinal interpretado pelas autoridades como reflexo da diminuição da caça furtiva e do reforço das medidas de protecção ambiental.
O censo aponta ainda tendências de crescimento ou estabilidade populacional noutras espécies de mamíferos de médio e grande porte, num cenário que o Governo considera “encorajador” para o futuro da conservação em Moçambique.
Segundo as autoridades, os resultados reflectem esforços conjuntos entre o Estado, co-gestores das áreas de conservação, sector privado, parceiros de cooperação e comunidades locais, com destaque para o reforço da fiscalização, combate à caça furtiva, programas de sensibilização comunitária, geração de renda e iniciativas de reintrodução de fauna.
Um dos dados considerados mais marcantes do levantamento é o facto de, pela primeira vez, o sul do país concentrar mais elefantes do que as regiões centro e norte, fenómeno associado à influência das áreas de conservação transfronteiriças.
Ainda assim, o Governo admite que os números do norte do país poderão estar subestimados, devido à exclusão de algumas áreas do censo por razões de segurança.
Pressão humana ameaça áreas de conservação
Apesar dos avanços, o relatório alerta para o aumento da pressão humana dentro das áreas de conservação, sobretudo através de assentamentos humanos, exploração ilegal de madeira e actividades mineiras.
Segundo o documento, estas práticas estão a degradar habitats naturais e a agravar os casos de conflito entre comunidades e animais bravios.
Para o Governo, “as conquistas alcançadas demonstram progressos importantes na recuperação da fauna, mas representam igualmente novos desafios no maneio sustentável dos ecossistemas” e defende, por isso, uma aposta crescente numa “economia de vida selvagem”, baseada no uso sustentável dos recursos naturais para gerar riqueza e melhorar as condições de vida das comunidades locais.
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