Estudos
O Declínio de elefantes, rinocerontes e leões reduz funções ecológicas essenciais na África, mostra um estudo da Universidade de Oxford.
O declínio das populações de elefantes, rinocerontes e leões em África está a afectar funções ecológicas críticas como a ciclagem de nutrientes e a dispersão de sementes, colocando sob pressão a biodiversidade e os meios de vida que dependem de ambientes saudáveis, segundo um estudo científico publicado recentemente.
A pesquisa, liderada pela Universidade de Oxford e publicada na revista Nature, revela que os ecossistemas africanos operam atualmente com menos de dois terços da energia natural de que dispunham no passado, uma medida da “energia ecológica” que alimenta processos vitais como o movimento de nutrientes, água e materiais.
O trabalho de investigação incluiu o cálculo dos fluxos de energia de 1.088 espécies de mamíferos e 1.955 espécies de aves, equivalente a 98 % das espécies continentais com dados disponíveis, excluindo aves marinhas.
Os investigadores combinarem seis grandes conjuntos de dados ecológicos, incluindo um novo Índice de Integridade da Biodiversidade para África, desenvolvido com conhecimento de especialistas locais.
Os resultados mostram que, embora os grandes mamíferos tenham sofrido os maiores declínios populacionais, espécies menores como roedores e aves canoras passaram a dominar os fluxos de energia restantes nos ecossistemas africanos. Mesmo com menor biomassa total, estes animais consomem uma parte desproporcional da energia disponível, realçando mudanças profundas na dinâmica ecológica.
Historicamente, os elefantes eram responsáveis por cerca de 10 % do fluxo total de energia e 16 % da biomassa de aves e mamíferos, mais do que qualquer outra espécie.
Através da alimentação, deslocação e dispersão de excrementos, moldavam paisagens e influenciavam a capacidade dos ecossistemas de armazenar carbono. Embora ainda desempenhem um papel ecológico importante, a sua influência foi significativamente reduzida.
Os autores do estudo advertem que, apesar de espécies menores estarem a assumir funções maiores nos ecossistemas, elas não conseguem substituir totalmente as funções únicas desempenhadas pela megafauna, como a dispersão de sementes a longas distâncias ou a remodelação física da vegetação através de pastoreio e movimento.
O estudo também destaca que a abordagem baseada em energia pode ser usada como instrumento para orientar políticas de restauração ecológica e conservação, oferecendo métricas mais significativas do que a simples contagem de espécies para avaliar a recuperação e a funcionalidade dos ecossistemas.
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