Clima
Citricultura revela potencial para mitigar mudanças climáticas, indica estudo

As árvores de citrinos, como a laranjeira, podem desempenhar um papel significativo na luta contra as mudanças climáticas, ao contribuírem para a captura de carbono da atmosfera. Um estudo recente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Territorial), em colaboração com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), revela que cada laranjeira tem capacidade para fixar cerca de 4,28 quilos de carbono por ano — o equivalente a neutralizar dez dias de emissões de gases de efeito estufa por pessoa, segundo médias brasileiras.
A investigação foi conduzida em oito pomares comerciais na região sudeste do Brasil, onde se estima que um hectare de produção de citrinos remova, em média, duas toneladas de carbono da atmosfera por ano. Os dados foram recolhidos em 80 árvores de diferentes idades e variedades (como pêra e valência), com análise da massa seca e húmida de folhas, ramos, troncos e raízes, permitindo calcular a quantidade de carbono armazenada por planta.

“Não é apenas o pé de laranja que contribui. Existe todo um ecossistema ao redor — vegetação de proteção, diversidade biológica — que ajuda também no sequestro de carbono”, explicou o investigador Lauro Rodrigues Nogueira Jr., da Embrapa Territorial, durante uma entrevista a um programa rural.
Embora o estudo tenha sido realizado no Brasil, os resultados lançam luz sobre o papel da agricultura frutícola em diversas regiões do mundo — incluindo em países africanos como Moçambique, onde a fruticultura, em especial os citrinos, tem vindo a crescer como alternativa sustentável e geradora de rendimento.
Especialistas defendem que a promoção de sistemas agroflorestais e a expansão da fruticultura em moldes sustentáveis podem ser uma via estratégica para países em desenvolvimento aliarem produção agrícola, rendimento familiar e combate às alterações climáticas.
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