Meio Ambiente

Novo diagnóstico do sector indica que mais da metade dos operadores florestais não cumpre com os requisitos básicos. Por outro lado, aponta para paralisia de actividades e queda na força de trabalho.
O sector florestal em Moçambique enfrenta uma crise silenciosa, com sinais de estagnação e práticas insustentáveis.
Segundo a Avaliação Periódica dos Operadores Florestais 2024, apresentada esta segunda-feira em Maputo, grande parte dos operadores continua a violar os critérios mínimos de exploração florestal, com destaque para os operadores com licença simples (LS).
Dos operadores avaliados, muitos obtiveram uma pontuação inferior a 50% no cumprimento dos requisitos legais e técnicos.
A silvicultura e o processamento industrial da madeira destacam-se entre os domínios com menor nível de conformidade.
A avaliação, coordenada pela Direção Nacional de Florestas (DINAF) e conduzida com apoio de universidades, organizações não-governamentais e observadores da mídia, revelou outros cenários que ensinam o sector, nomeadamente,
a redução acentuada do número de operadores florestais entre 2021 e 2024, atribuída à escassez de recursos e à falta de mercado.
Por outro lado, a avaliação diz que 79 operadores ficaram inactivos em 2024, tendência crescente desde 2015;
Ao nível de mão de obra, a fonte revela que houve um “redução drástica da força de trabalho no sector, com uma queda de quase metade dos postos de trabalho em apenas três anos. Actualmente, as mulheres representam apenas 13% dos 5.675 trabalhadores”, revela.
Apesar de avanços na clarificação de áreas através do georreferenciamento, o relatório recomenda medidas urgentes, como a formalização do cancelamento de contratos de operadores paralisados e a sensibilização sobre práticas florestais sustentáveis, sobretudo no domínio da silvicultura.
A avaliação cobriu todas as províncias, com exceção de Maputo e Cabo Delgado, onde se recomenda o mapeamento urgente das áreas de exploração.
O relatório propõe ainda que apenas operadores avaliados e em conformidade possam obter novas licenças.
A avaliação foi realizada com base em critérios que incluem documentação, força de trabalho, silvicultura, interação com comunidades locais e uso de tecnologia.
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