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Enquanto o país contabiliza os custos das chuvas de Janeiro, um ciclone pode afectar o país com probabilidades de agravar a débil situação que se vive, sobretudo, na província de Gaza.
Moçambique poderá enfrentar, nos próximos dias, o primeiro ciclone tropical do ano, num momento em que o país ainda “lambe as feridas” provocadas pelas chuvas intensas que recentemente deixaram um rasto significativo de destruição, sobretudo na região Sul.
O alerta foi lançado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), que acompanha a evolução da Tempestade Tropical Moderada GEZANI, formada na Bacia do Sudoeste do Oceano Índico e que, segundo as projecções, poderá evoluir para ciclone tropical nas próximas horas, com efeitos ainda imprevisíveis.
Até às 08 horas desta segunda-feira, o sistema apresentava, segundo o INAM, ventos médios de 75 quilómetros por hora e rajadas que podiam atingir 100 quilómetros por hora, deslocando-se na direcção Sudoeste, a uma velocidade de cerca de 15 quilómetros por hora.
As previsões indicam que a tempestade poderá atingir o Canal de Moçambique na quarta-feira, mantendo-se, para já, como Tempestade Tropical Moderada.
Num comunicado, o INAM refere que, caso o sistema mantenha a trajectória e ganhe intensidade, poderá afectar distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, provocando ventos médios de até 120 quilómetros por hora, com rajadas que podem chegar aos 140 quilómetros por hora, além de chuvas intensas.
A eventual chegada deste sistema ocorre num contexto particularmente sensível, em que comunidades e infra-estruturas ainda fazem contas aos impactos das chuvas que, nas últimas semanas, causaram cheias, destruição de estradas, perdas agrícolas e deslocação de famílias, especialmente no Sul do país.
Especialistas alertam que solos saturados e bacias hidrográficas já fragilizadas aumentam o risco de inundações rápidas e deslizamentos de terra, mesmo que o fenómeno não atinja o estatuto máximo de ciclone.
As autoridades meteorológicas recomendam atenção redobrada às actualizações oficiais, sublinhando que a evolução do sistema permanece dinâmica e que pequenos desvios na trajectória ou na intensidade podem alterar significativamente o impacto esperado.
Enquanto o país acompanha, com apreensão, a evolução da GEZANI, o cenário reforça a vulnerabilidade de Moçambique a eventos climáticos extremos e a necessidade de medidas preventivas atempadas, num ano que poderá voltar a testar a resiliência nacional face às alterações climáticas.
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