Economia

Agricultura e agro-indústria chamadas a liderar nova fase da economia moçambicana

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta terça-feira (14) uma maior aposta na agricultura e na agro-industrialização como pilares da diversificação económica de Moçambique, sustentando que o país deve reduzir a dependência da exploração de recursos naturais e fortalecer a produção nacional.

Falando na abertura da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), o Chefe do Estado afirmou que o crescimento económico dependerá da capacidade de transformar localmente os recursos disponíveis e de criar cadeias de valor capazes de gerar emprego, rendimento e competitividade.

“A nossa resposta é clara: queremos um Moçambique que produz, que transforma, compete e prospera.”

Embora tenha identificado igualmente a indústria, o turismo, a economia azul, a logística e as infra-estruturas como sectores estratégicos, Chapo colocou a agricultura entre as prioridades para impulsionar uma economia mais resiliente e menos vulnerável às oscilações dos mercados internacionais.

O Presidente defendeu que o desenvolvimento do país exige investimentos que acrescentem valor à produção nacional, em vez da simples exportação de matérias-primas, apontando a agro-indústria como um instrumento para aumentar o rendimento dos produtores e criar oportunidades de emprego ao longo das cadeias de valor.

“O país deve transformar internamente os seus recursos”, afirmou, defendendo a criação de cadeias de valor que permitam reter maior riqueza na economia nacional.

Chapo reiterou igualmente que o Governo continuará a implementar reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, incluindo a simplificação de procedimentos administrativos, a digitalização dos serviços públicos e o reforço da segurança, como forma de estimular o investimento privado.

O estadista reconheceu que Moçambique continua a enfrentar limitações de financiamento, escassez de divisas, impactos de fenómenos climáticos extremos e da criminalidade, factores que condicionam o desempenho da economia e do sector produtivo.

“Queremos um Moçambique livre de raptos, um Moçambique livre de crimes, um Moçambique em paz e segurança, de forma que o nosso sector privado possa fazer negócios num ambiente de paz e segurança.”

Referindo-se aos cerca de 50 mil milhões de dólares de investimentos em curso na Bacia do Rovuma, envolvendo projectos de gás natural, o Presidente advertiu que os megaprojectos não serão suficientes para transformar a economia nacional sem uma estratégia de diversificação produtiva.

Concluiu defendendo que as receitas da indústria extractiva devem servir para impulsionar sectores como a agricultura, capazes de assegurar um crescimento inclusivo e sustentável.

“O que vai mudar Moçambique é a nossa visão de construir uma economia diversificada.”

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