Clima

Actividades humanas elevaram aquecimento global para 1,37°C em 2025, revela estudo

As actividades humanas elevaram o aquecimento global para 1,37 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais em 2025, enquanto o sistema climático da Terra continua a aquecer a um ritmo acelerado, indica um estudo internacional divulgado este mês.

Ainvestigação, realizada por uma equipa composta por mais de 70 cientistas de vários países, conclui que, mantendo-se a trajectória actual, o aquecimento global poderá ultrapassar o limite de 1,5°C dentro de aproximadamente quatro anos.

De acordo com o portal earth.org, especializado em assuntos climáticos, estudo analisou 12 indicadores fundamentais do estado do sistema climático, incluindo a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera.
“Os investigadores constataram que as emissões desses gases, resultantes sobretudo da queima de combustíveis fósseis, permanecem em níveis historicamente elevados. Ainda assim, há sinais de que o ritmo de crescimento das emissões de dióxido de carbono, o principal gás responsável pelo aquecimento global, esteja a desacelerar” de escrever aquele portal.
Outro indicador em destaque foi o desequilíbrio energético da Terra, que representa a diferença entre a energia recebida do Sol e a energia devolvida ao espaço.
Segundo o estudo, este desequilíbrio mais do que duplicou desde a década de 1970 e atingiu níveis recorde, evidenciando a intensificação das alterações climáticas induzidas pela actividade humana.
Os oceanos continuam a absorver cerca de 90% do calor retido na atmosfera, fenómeno que está a desencadear impactos em cadeia nos ecossistemas marinhos e costeiros.
O aumento da temperatura das águas provoca a expansão térmica dos oceanos e acelera o degelo de glaciares e mantos de gelo, contribuindo para a subida do nível médio do mar.
Em 2025, o nível médio global do mar atingiu um novo máximo histórico, situando-se cerca de 23 centímetros acima dos valores registados em 1901. De acordo com os autores, embora o aumento pareça reduzido, já está a agravar as inundações costeiras em regiões baixas e vulneráveis em diversas partes do mundo.
O excesso de calor acumulado nos oceanos também está a aumentar a frequência das ondas de calor marinhas.
O estudo indica que, em 2025, foram registados 65 dias de ondas de calor marinhas, mais do que o triplo dos níveis observados em 1991. Esta situação tem provocado perturbações nos ecossistemas oceânicos, afectando a biodiversidade, a pesca comercial e os mecanismos naturais de protecção costeira.
Os cientistas alertam ainda que oceanos mais quentes favorecem uma maior evaporação, aumentando a quantidade de humidade na atmosfera e potenciando fenómenos meteorológicos extremos, como tempestades, ciclones e inundações.
A investigação concluiu igualmente que 2025 foi o terceiro ano mais quente desde o início dos registos instrumentais e que a quase totalidade do aquecimento observado durante a última década resulta da acção humana.
Entre 2016 e 2025, a temperatura média global ficou 1,26°C acima dos níveis pré-industriais, dos quais 1,24°C foram atribuídos directamente às actividades humanas.
“Os impactos sobre os meios de subsistência das populações e sobre os ecossistemas já são sentidos em todo o mundo e tenderão a acelerar à medida que as temperaturas continuarem a aumentar”, afirmou Samantha Burgess, responsável estratégica para o clima do Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da União Europeia e uma das autoras do estudo.

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