Internacional
O aumento dos deslocamentos forçados numa região que já acolhe milhões de refugiados e retornados está a intensificar os riscos de insegurança alimentar global. O alerta consta do novo relatório lançado semana finda pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, que alerta para possíveis perturbações nos mercados agro-alimentares mundiais.
De acordo com o documento, países e territórios já afectados por crises alimentares enfrentam agora ameaças adicionais provocadas pela instabilidade logística, pelo aumento dos custos energéticos e pelas fragilidades no comércio internacional de alimentos.
No Médio Oriente, região altamente dependente das importações alimentares, os impactos são imediatos, aponta o relatório.
“A subida dos custos de energia e transporte está a reduzir rapidamente o poder de compra das populações mais vulneráveis, agravando a pressão sobre sistemas alimentares já fragilizados”, realça aquela organização.
Especialistas alertam ainda que a situação pode ultrapassar as fronteiras regionais.
Os países do Golfo, responsáveis por uma parte significativa das exportações globais de energia e fertilizantes, desempenham um papel central na estabilidade dos preços agrícolas.
Interrupções prolongadas no transporte e na produção poderão desencadear efeitos em cadeia nos mercados alimentares internacionais.
Financiamento humanitário lança alerta
O relatório destaca igualmente uma tendência considerada alarmante: a redução significativa do financiamento destinado ao combate às crises alimentares.
Os recursos disponíveis para assistência alimentar, nutrição e programas de segurança alimentar regressaram a níveis observados há quase dez anos, comprometendo a capacidade de resposta de governos e organizações humanitárias.
A diminuição do financiamento está também a afectar a recolha de dados essenciais, deixando vários países sem estimativas fiáveis sobre a dimensão real da fome e da má nutrição.
Analistas alertam que, sem um reforço urgente do apoio internacional, milhões de pessoas poderão enfrentar níveis ainda mais severos de insegurança alimentar nos próximos anos.
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