Agricultura
MAAP traça estratégia para recuperar produção com aposta para a segunda época
O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) definiu uma estratégia nacional para assegurar níveis satisfatórios de produção na Campanha Agrária 2025/26, na sequência das inundações que afectaram vastas zonas agrícolas do país desde Dezembro último.
Dados oficiais, actualizados esta semana, indicam que cerca de 174 mil hectares foram afectados pelas cheias, resultando na perda de aproximadamente 45 mil hectares de culturas e no impacto directo sobre perto de 132 mil famílias produtoras, sobretudo em zonas baixas e áreas de regadio.
De acordo com uma fonte oficial, as linhas de orientação da resposta governamental, apresentadas durante a Segunda Reunião de Balanço de Monitoria da Campanha Agrária em curso, “no imediato, aposta vai para o reforço do plantio tardio, com a mobilização de produtores detentores de sementes e a preparação das estruturas provinciais para permitir o reinício da sementeira logo após a descida das águas, processo que deverá decorrer até meados de Fevereiro”.
“A abordagem parte do princípio de que as inundações, embora severas, exigem uma resposta de ajustamento produtivo e não a interrupção da campanha”, indica a nossa fonte.
Paralelamente, o MAAP já começou a preparar a segunda época agrícola, que, segundo a meta, deverá garantir cerca de 40 por cento da produção em relação à primeira época.
“Esta fase incidirá sobre culturas como arroz e milho, feijões, hortícolas (tomate, cebola, alho e repolho), bem como mandioca e batata-doce”, descreve a fonte.
À busca de recursos
Segundo soubemos, para viabilizar a recuperação, o MAAP prevê a mobilização de recursos financeiros internos e externos com vista à criação de um fundo de apoio aos produtores e aos agrodealers, destinado à aquisição e disponibilização regular de insumos agrícolas, incluindo linhas de financiamento com prioridade para estes segmentos.
“A estratégia inclui ainda o reforço da assistência técnica e da monitoria no terreno, através dos serviços de extensão agrária, bem como a disseminação da tecnologia de plantio directo sem lavoura (no till) na segunda época, visando melhor aproveitamento da humidade e dos nutrientes dos solos”, indica a fonte.
O aproveitamento integral dos regadios e das zonas baixas, aliado ao reforço da vigilância fitossanitária, completa o pacote de medidas com que o Governo pretende mitigar os impactos das cheias, recuperar áreas produtivas e salvaguardar a segurança alimentar e nutricional do país.
Compartilhar