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REVISTA TERRA A Voz do Agro e Ambiente
Cotações ICM
Cabo Delgado · Arroz: 28.12 MZN / kg (0%) Cabo Delgado · Mapira: 25.55 MZN / kg (0%) Cabo Delgado · Mexoeira: 40.83 MZN / kg (0%) Cabo Delgado · Milho: 17.46 MZN / kg (0%) Gaza · Arroz casca: 25.67 MZN / kg (0%) Gaza · Milho: 21.40 MZN / kg (0%) Inhambane · Arroz (casca): 41.00 MZN / kg (0%) Inhambane · Mapira: 60.00 MZN / kg (0%) Inhambane · Milho Branco: 48.33 MZN / kg (0%) Manica · Arroz: 22.50 MZN / kg (0%) Manica · Mapira: 16.58 MZN / kg (0%) Manica · Mexoeira: 15.04 MZN / kg (0%) Manica · Milho: 19.17 MZN / kg (0%) Maputo · Arroz: 70.63 MZN / kg (0%) Maputo · Milho Branco: 44.58 MZN / kg (0%) Nampula · Arroz: 22.00 MZN / kg (0%) Nampula · Mapira: 20.00 MZN / kg (0%) Nampula · Mexoeira: 30.00 MZN / kg (0%) Nampula · Milho: 19.32 MZN / kg (0%) Niassa · Arroz: 67.20 MZN / kg (0%) Niassa · Mapira: 15.00 MZN / kg (0%) Niassa · Milho: 15.61 MZN / kg (0%) Sofala · Arroz: 40.00 MZN / kg (0%) Sofala · Mapira: 24.20 MZN / kg (0%) Sofala · Mexoeira: 14.00 MZN / kg (0%) Sofala · Milho: 22.08 MZN / kg (0%) Tete · Arroz: 59.33 MZN / kg (0%) Tete · Milho: 15.93 MZN / kg (0%) Zambézia · Arroz: 24.47 MZN / kg (0%) Zambézia · Milho: 14.36 MZN / kg (0%)
Reportagem 1 ano atrás

Manica: Quando o ouro mata os rios e o lucro sobrepõe-se à vida

Os rios de Manica deixaram de correr com vida. Onde antes fluíam águas claras que alimentavam a produção agrícola, o gado e comunidades inteiras, hoje arrastam resíduos tóxicos e lamas pesadas, impróprias para a saúde.

Num retracto de uma mineração descontrolada e movida pelo lucro, seis rios que sustentavam a vida na província perderam o seu vigor. A pesca desapareceu, as plantações secaram e a sede
chegou às aldeias.

A morte dos rios Revuè, Nhauacaca, Zónue, Messica, Chimedza e Mudza tornou-se o símbolo mais visível de uma exploração que escapou ao controlo.
Perante este colapso ambiental, o Governo de Moçambique decidiu suspender todas as actividades mineiras em Manica, numa medida anunciada a 30 de Setembro, durante a 33.ª sessão Ordinária do Conselho de Ministros.

Mais do que uma acção administrativa, a decisão marca um ponto de viragem na forma como o país encara a exploração dos seus recursos naturais e os limites da tolerância à degradação ambiental.

A resolução do Executivo baseia-se num relatório técnico do Comando Operativo, coordenado pelo Ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, que entre 17 e 19 de Julho liderou uma missão inter-sectorial às zonas mais afectadas.

As conclusões são alarmantes: rios contaminados, fontes de água potável envenenadas e comunidades ribeirinhas mergulhadas numa crise ecológica e social sem precedentes.

“A fauna aquática encontra-se ameaçada e os campos agrícolas já não produzem como antes. As comunidades perderam acesso à água limpa para beber e irrigar, e a pesca reduziu drasticamente”, declarou o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, ao anunciar o decreto do Executivo.

As causas são conhecidas: lavagem de minérios em leitos fluviais, despejo de resíduos químicos sem tratamento e abandono de crateras e equipamentos após a extracção.

A actividade mineira, legal e ilegal, foi-se expandindo sem controlo, degradando margens e alterando cursos de água até transformar ecossistemas férteis em valas estéreis.

Face à dimensão do desastre, o Governo não se limitou à suspensão das licenças. Determinou igualmente a criação de uma Comissão Interministerial, liderada pelo Ministro da Defesa, com o
mandato de reformular o regime de licenciamento e elaborar um plano de recuperação ambiental.

A comissão incluirá representantes de vários sectores do Estado, das comunidades locais e até dos operadores prevaricadores, num esforço conjunto de reparação e redefinição das regras de
exploração mineira.
O lucro acima da vida
O relatório do Comando Operativo revelou ainda a existência de mineração descontrolada, inclusive por empresas com licenças válidas, que operam sem planos de recuperação ambiental
nem mecanismos de contenção de riscos.

Segundo o documento, em muitos casos os equipamentos são abandonados após o uso, deixando crateras abertas e contaminação persistente — um retrato de negligência institucional e
empresarial.

Analistas e activistas ambientais consideram que o episódio de Manica representa um alerta nacional sobre o custo humano e ecológico da mineração não regulada — e um apelo à
responsabilidade colectiva sobre a gestão dos recursos do país.

Embora a suspensão produza efeitos imediatos, os impactos da degradação ambiental exigirão um processo longo e incerto de recuperação, observam especialistas, alertando para a urgência de
restaurar os ecossistemas afectados.

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