
O economista Janfar Abdulai defende uma maior afectação de recursos financeiros à agricultura e aos demais sectores produtivos, considerando que a actual orientação do financiamento continua a limitar o desenvolvimento da economia moçambicana.
Abdulai entende que, apesar dos investimentos em curso em diferentes sectores, Moçambique continuará a enfrentar dificuldades económicas enquanto o sector primário, particularmente a agricultura, não receber maior atenção na alocação de recursos.
A agricultura constitui a principal base de subsistência da maioria das famílias moçambicanas, pelo que, segundo o economista, o reforço do financiamento ao sector é essencial para criar uma economia mais robusta e estável.
“A maioria dos recursos financeiros continua a ser alocado ao sector terciário, e isto é um problema se olharmos para o sector primário como a agricultura que é a base de sustento do grosso das famílias moçambicanas”, disse Abdulai.
“O padrão não está a mudar, então algo está errado”, acrescentou.
O economista falava quarta-feira (23), em Maputo, durante o lançamento do livro “Finanças Islâmicas”, que escreveu em co-autoria com o também economista Carino Modan, mestre na área de finanças islâmicas.
Segundo Abdulai, Moçambique tem registado, nos últimos anos, grandes investimentos em diversos sectores de desenvolvimento, mas, na sua perspectiva, a afectação de recursos continua a privilegiar o sector terciário em detrimento das actividades produtivas.
“O sector primário é real e é o que produz. Podemos investir muito no terciário, mas se não investirmos no primário, a economia continuará com problemas”, afirmou.
Abdulai, antigo ministro dos Transportes e Comunicações, explicou que a obra surge da necessidade de apresentar uma nova abordagem sobre as fontes e políticas de financiamento dos sectores produtivos.
Intervindo na ocasião, a Primeira-Ministra, Benvinda Levi, reconheceu a necessidade de o país aumentar o investimento nos sectores produtivos, sobretudo ao longo das respectivas cadeias de valor, como forma de impulsionar a economia e alcançar a auto-suficiência.
“Devemos procurar uma ligação positiva entre as finanças e a economia real”, defendeu a Primeira-Ministra.
Levi acrescentou que o financiamento à agricultura deve abranger toda a cadeia de valor, desde a produção até ao mercado.
“Quando financiamos a agricultura, devemos olhar para a cadeia completa: a produção, o armazenamento, a transformação, a logística e o mercado final”, afirmou.
Para a Primeira-Ministra, é igualmente importante garantir que o produtor tenha condições para colocar a sua produção no mercado e obter rendimento para sustentar a sua família.
Sobre a obra, já lançada, Benvinda Levi felicitou os autores pelo que considerou ser a coragem de pensar, escrever e introduzir novas ideias no debate económico e financeiro nacional.
