
A cidade de Maputo poderá contar, brevemente, com dois centros de recepção e reciclagem de resíduos sólidos, com vista a melhorar a gestão e reduzir o volume de lixo que chegam à lixeira.
A informação foi avançada pelo Presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Salubridade de Maputo (EMSM), Sergio Zitha, assegurando que o arranque das obras de construção dos empreendimentos será ainda dentro do presente ano.
Denominados centros de rotoma, os empreendimentos em alusão, segundo Zitha, serão construídos nos bairros de Xipamanine e Zimpeto, por sinal, onde localizam-se os dois mercados mais concorridos da capital do país, e, consequentemente, também responsáveis pela produção de grandes volumes de resíduos sólidos, parte dos quais, recicláveis.
Zitha, que falava no último fim-de-semana, à margem de uma jornada de limpeza promovida em parceria com a comunidade ruandesa em Maputo, explicou que a construção das infraestruturas será financiada pelos parceiros da edilidade, mas a gestão estará a cargo da EMSM.
De acordo com o PCA da EMSM, os centros visam garantir que os resíduos sólidos reaproveitáveis deixem de engrossar os volumes de lixo depositado na lixeira, passando o Conselho Municipal, através daquela empresa, a comprar para a posterior reciclagem.
No contexto, Zitha disse que o objectivo e igualmente incluir os catadores de lixo na politica do funcionamento do sector que dirige, em reconhecimento ao papel destes na colecta de resíduos sólidos recicláveis, com destaque para o plástico, pet e papelão, que muitas vezes sobrecarregam as lixeiras e prejudicam o meio ambiente.
Zitha entende que fora a melhor gestão de resíduos sólidos os centros a serem implantados poderão garantir postos de trabalho e igualmente fonte de subsistência para os catadores assim como para qualquer munícipe que queira vender lixo reciclável.
É aliado a este exercício de adopção de novas estratégias de gestão de resíduos sólidos, que a EMSM e a comunidade ruandesa, liderada pelo seu embaixador em Moçambique, Donat Ndamage, levaram a cabo a jornada de limpeza que partiu da Praça dos Combatentes percorrendo a Avenida das FPLM, até a Praça dos Heróis Moçambicanos.
Zitha clarificou que a actividade visa resgatar o espírito participativo da sociedade na limpeza dos espaços públicos, para mantê-los limpos e atractivos.
“Pretendemos mostrar que é possível cada munícipe dar o seu contributo para manter o seu bairro e os espaços públicos limpos. E esta iniciativa veio para ficar, pelo que nos próximos tempos irá abranger outros locais”, garantiu Zitha.
Por sua vez, o embaixador ruandes, congratulou a parceria com a edilidade, em mais uma jornada de limpeza, clarificando que no Ruanda já é uma prática cultural, sendo que no último sábado de cada mês, o país para dar lugar a actividades.
“No Ruanda chamamos Muganda, realizamos no último sábado de cada mês. Nesse dia tudo para por um momento para dar lugar a várias atividades, nomeadamente limpeza em espaços e vias públicas, construção de casas e assistência social a pessoas vulneráveis, plantio de árvores e outras acções para a preservação do meio ambiente.
Dados oficiais indicam que actualmente, a cidade de Maputo produz diariamente, cerca de 1500 toneladas de lixo, uma subida significativa, em comparação com a média diária dos anos anteriores, situada em cerca de 1.200 toneladas/dia.
