
O Governo moçambicano está a reforçar a preparação para a época chuvosa 2026/2027, com medidas destinadas a reduzir os impactos do El Niño sobre a agricultura, pecuária e disponibilidade de água.
De acordo com uma nota emitida nesta sexta-feira, na agricultura, o Executivo prevê medidas como a massificação do uso de “sementes tolerantes à seca, agricultura de conservação, extensão rural e pequena irrigação”, sobretudo onde existam fontes sustentáveis de água.
Segundo apuramos, a estratégia procura reduzir as perdas de culturas num cenário de menor disponibilidade hídrica e preparar os produtores para condições climáticas menos favoráveis.
Para a pecuária, o plano de acção projecta medidas para assegurar pontos de água e o acesso a recursos essenciais, numa tentativa de reduzir a mortalidade do gado e a venda forçada de animais pelas famílias afectadas.
Através de uma nota oficial que tivemos acesso, o Governo alerta ainda para possíveis reduções dos caudais dos principais rios e dos níveis das albufeiras, com impactos sobre o consumo humano, agricultura, pecuária e outras actividades económicas.
A gestão dos recursos hídricos deverá seguir uma “definição progressiva de prioridades”, privilegiando o consumo humano, a saúde, a produção alimentar crítica e o abeberamento do gado, refere a nota.
Em caso de agravamento da escassez, o Governo admite “restrições graduais para usos de menor prioridade”, enquanto reforça a monitoria das albufeiras, rios e águas subterrâneas para permitir uma intervenção antecipada.
A resposta inclui ainda planos de contingência para unidades sanitárias, escolas e outras infra-estruturas estratégicas, além do reforço da vigilância de doenças relacionadas com água insegura e da prevenção da malnutrição.
Segundo o comunicado, as acções deverão ser coordenadas entre os sectores da água, agricultura, energia, saúde, protecção social e gestão de riscos, numa abordagem destinada a garantir que “a informação climática seja transformada em decisões e acções concretas”.
