
O fenómeno El Niño que se desenvolve no Pacífico Equatorial está a atingir níveis de intensidade considerados excepcionais, com modelos climáticos a indicarem a possibilidade de a anomalia da temperatura da superfície do mar aproximar-se de quatro graus Celsius no pico do episódio, previsto para os próximos meses.
Dados recentes indicam que a região Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para acompanhar a evolução do fenómeno, registou uma anomalia próxima de 2,9 graus Celsius segundo o índice ONI, colocando o actual episódio entre os mais intensos observados.
Outro indicador utilizado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o RONI, que procura descontar o efeito do aquecimento de longo prazo dos oceanos, também atingiu valores elevados, próximos de dois graus Celsius.
A conjugação destes indicadores levou especialistas a classificar o episódio como um possível “Super El Niño”, embora a intensidade final do fenómeno ainda dependa da evolução das temperaturas do Pacífico e da resposta da atmosfera nas próximas semanas.
Os modelos de previsão apontam para uma possível intensificação durante o final de 2026, com o pico a poder ocorrer entre Novembro e Dezembro, havendo projecções que indicam valores próximos de quatro graus Celsius na região Niño 3.4.
Fenómeno com efeitos globais
O El Niño resulta de um aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial e altera os padrões de circulação atmosférica, podendo influenciar a precipitação e as temperaturas em diferentes partes do mundo.
A intensidade do fenómeno, contudo, não determina por si só os impactos que serão registados em cada região. Estes dependem da interacção entre o El Niño e outros factores atmosféricos e oceânicos, pelo que os efeitos podem variar significativamente entre países e continentes.
