
Especialista alerta para os impactos crescentes das alterações climáticas na saúde pública, incluindo o aumento da mortalidade, a propagação de doenças e as deslocações populacionais.
Cerca de 90% dos dias de ondas de calor registados no país entre 2021 e 2025 não seriam esperados sem a influência das alterações climáticas. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira em Maputo pelo investigador Zimbabwe ano, Tafadzwanashe Mabhaudhi, da 3.ª Conferência sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde.
O especialista, professor de Alterações Climáticas, Sistemas Alimentares e Saúde na London School of Hygiene and Tropical Medicine e director do Lancet Countdown Africa, revelou ainda que Moçambique registou, em média, 10,3 dias de ondas de calor por ano entre 2021 e 2025, dos quais cerca de 90% são atribuídos à influência das alterações climáticas.
Ainda na sequência de dados objectivos, a fonte salientou que 45,7% da superfície terrestre de Moçambique registou, em média, pelo menos um mês de seca extrema por ano, entre 2021 e 2025. A proporção representa, segundo o pesquisador, um aumento significativo em relação aos 14,7% registados no período de 1981 a 1990, evidenciando a crescente exposição do país a condições de seca extrema.
Perante os dados, a fonte alertou para os impactos crescentes das alterações climáticas na saúde pública, incluindo o aumento da mortalidade, a propagação de doenças e as deslocações populacionais.
Impacto continental
Em África, cerca de 64% da superfície terrestre registou, em média, pelo menos um mês de seca extrema por ano, entre 2013 e 2022.
Dados então apresentados indicam que a mortalidade associada ao calor aumentou 23% desde a década de 1990, enquanto uma estimativa de 546 mil mortes anuais relacionadas com o calor foi registada no período de 2012 a 2021.
A apresentação apontou ainda um aumento de 49% no potencial de transmissão da dengue, associado às condições climáticas, reforçando os riscos que as alterações climáticas representam para a saúde pública no continente.
Perante este cenário, Mabhaudhi destacou a necessidade de reforçar a prevenção, a preparação e a capacidade de resposta dos sistemas de saúde aos fenómenos climáticos extremos e aos riscos sanitários associados.
