
Os produtores de batata-reno do distrito da Moamba, província de Maputo, pediram, esta quarta-feira, ao Governo a adopção de medidas de protecção do mercado nacional, para garantir a sustentabilidade da produção agrícola face à forte concorrência dos produtos importados da vizinha África do Sul.
O pedido foi apresentado ao ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante uma visita à exploração agrícola Boa Horta, na Moamba, onde participou no arranque oficial da campanha de colheita da batata-reno.
“O mercado está dominado pelos produtos sul-africanos e precisamos de políticas que rectifiquem isso e comecem a dar prioridade aos agricultores nacionais”, afirmou Vieira Lino, um dos gestores da exploração agrícola Boa Horta.
Segundo os produtores, a concorrência dos produtos importados leva, por vezes, à deterioração da produção nacional, que não consegue encontrar compradores no mercado. A situação, afirmam, reduz os rendimentos dos agricultores e desincentiva o investimento na produção local.
Os produtores defendem, por isso, a adopção de medidas aduaneiras que permitam regular as importações nos períodos de pico da produção nacional, de modo a assegurar o escoamento da batata-reno produzida no país.
Em resposta, o ministro Roberto Mito Albino afirmou que o Governo está atento às preocupações dos produtores e que pretende encontrar soluções para garantir maior espaço aos produtos nacionais no mercado.
“Dentro da política que estamos a adoptar, temos que encontrar soluções de gestão do mercado para que, de facto, o produto nacional tenha prioridade”, declarou o governante, em contacto com a imprensa.
“Não estamos a falar de fechar as importações só por fechar, mas tem que haver uma janela em que o produto nacional deve ter prioridade. Quando houver escassez, por algum motivo, podemos abrir as importações para suplementar aquilo que estiver a faltar para o abastecimento do nosso mercado”, esclareceu.
O ministro reiterou, igualmente, a necessidade de aumentar a produção nacional, considerando-a uma das condições para concretizar o compromisso recentemente assumido com os produtores da província de Gaza, que prevê assegurar, até finais de 2027, o abastecimento pleno do mercado da região Sul do país com hortícolas produzidos localmente.
