
Cerca de 94 mil pessoas afectadas pelo terrorismo, na provincia de Cabo Delgado, vão beneficiar de assistência alimentar, nos proximos dias, no âmbito de um financiamento de cerca de 1,8 milhão de dólares a ser disponibilizado pelo Governo do Japão.
O apoio será materializado ao abrigo de um acordo de financiamento assinado esta quarta-feira (14), em Maputo, entre a Embaixada do Japão e o Programa Mundial de Alimentação (PAM) em Moçambique.
De acordo com o embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, o financiamento destina-se à assistência de 94 mil deslocados internos e outras pessoas afectadas pelos ataques terroristas que assolam alguns distritos daquela província nortenha.
“Esta contribuição permitirá apoiar cerca de 94 mil deslocados internos e outras pessoas afectadas pelo conflito em Cabo Delgado através da distribuição de arroz e conservas de peixe”, disse Hamada, recordando que, desde 2019, o Japão contribuiu com cerca de 21,38 milhões de dólares para as operações do PAM em Moçambique.
Por sua vez, a Directora do PAM em Moçambique, Claire Conan, afirmou que o financiamento chega numa altura em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas e os recursos disponíveis continuam insuficientes para responder à totalidade das populações vulneráveis.
“Permitirá ao PAM prestar assistência alimentar a 94 mil pessoas, ajudando famílias vulneráveis a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas”, afirmou Claire Conan, sublinhando que, o apoio pretende evitar que os agregados familiares recorram a estratégias prejudiciais para lidar com a escassez de alimentos.
A assistência a ser levada a cabo pelo PAM, irá combinar produtos adquiridos em Moçambique com conservas de peixe, contribuindo simultaneamente para o apoio às populações afetadas e para a dinamização dos mercados locais.
“Este apoio do Japão não é apenas oportuno, é profundamente significativo”, afirmou a representante do PAM, agradecendo ao Governo japonês pela contribuição.
Claire Conan alertou ainda para os possíveis efeitos do fenómeno El Niño, considerando que um agravamento da seca poderá aumentar o número de famílias em situação de insegurança alimentar, numa altura em que o financiamento humanitário enfrenta fortes constrangimentos.
Em cabo Delgado, actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas continuam a viver com os efeitos do conflito, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas regressadas às suas zonas de origem.
