
A procura mundial de gás natural atingiu um recorde de 4.202 mil milhões de metros cúbicos (bcm) em 2025, traduzindo-se num crescimento do consumo que coloca a indústria perante um desafio crescente: garantir segurança energética e responder à procura sem perder de vista a redução das emissões.
Os dados constam do Global Gas Report 2026, divulgado esta quarta-feira, 26 de Agosto, pela International Gas Union (IGU) e pela Snam, segundo o qual a procura aumentou 69 bcm, ou 1,7%, face a 2024.
O relatório surge num contexto marcado pelo aumento da procura de electricidade, fenómenos meteorológicos extremos, expansão do comércio de gás natural liquefeito (GNL), crescimento da inteligência artificial e dos centros de dados, ao mesmo tempo que a indústria do gás enfrenta a necessidade de reduzir as suas emissões.
A geração de energia eléctrica continua a ser o maior destino final do gás, representando 34% da procura mundial. Em 2025, o maior aumento do consumo ocorreu nos sectores residencial e comercial, com 32 bcm, seguido da indústria, com 20 bcm, e da geração eléctrica, com 17 bcm. O sector dos transportes registou o crescimento mais rápido, com mais 9 bcm.
Para o relatório, a expansão da procura energética deverá tornar o planeamento mais complexo. A capacidade global dos centros de dados chegou a 141 GW em 2025, distribuída por quase 7.000 instalações, mais do dobro do nível de cinco anos antes. O pipeline de novos projectos poderá ultrapassar 500 GW até 2030, sendo cerca de 64% destinado à inteligência artificial.
Neste cenário, o gás é apresentado no relatório como uma fonte capaz de fornecer energia despachável e contribuir para a estabilidade do sistema quando outras fontes não estão disponíveis. Ao mesmo tempo, a indústria reconhece a necessidade de avançar na redução de emissões e no desenvolvimento de gases de menores emissões.
Uma das áreas de inovação é o biometano, cuja capacidade global aumentou 15% em 2025, para 16,5 bcm. O relatório estima que esta capacidade poderá mais do que quadruplicar até 2030, tomando como referência os níveis de 2020.
A captura de carbono também registou avanços. A capacidade operacional aumentou em 8 milhões de toneladas por ano em 2025, atingindo 74 milhões de toneladas anuais. Outros 19,5 milhões de toneladas anuais chegaram à fase de decisão final de investimento.
O relatório defende, por isso, uma mudança de abordagem: em vez de encarar a transição energética como uma substituição isolada de fontes, o futuro deverá combinar diferentes vectores energéticos para assegurar um sistema simultaneamente fiável, acessível e com menores emissões.
Para Menelaos Ydreos, secretário-geral da IGU, citado pela imprensa internacional, a questão central já não é apenas determinar quanta energia será necessária, mas garantir que haverá energia fiável, acessível e progressivamente menos emissora quando e onde for necessária.
O relatório prevê que, se as tendências recentes se mantiverem, a procura global de gás poderá atingir entre 4.516 e 4.575 bcm em 2030, aumentando a pressão sobre a produção, infra-estruturas de GNL, regaseificação e armazenamento.
A perspectiva apresentada pelo Global Gas Report 2026 coloca assim o sector perante uma equação cada vez mais complexa: responder a uma procura energética crescente e reforçar a segurança do abastecimento, enquanto acelera a inovação necessária para reduzir as emissões associadas ao sistema energético.
